Toda final de campeonato tem a sua peculiaridade. Em fevereiro de 2007, assisti à decisão da Taça da Liga Inglesa entre Arsenal e Chelsea ao lado de um amigo londrino, torcedor fanático dos Gunners.

Mesmo depois de tanto tempo, ainda me lembro daquela partida, principalmente por causa do detalhe que, na minha opinião, definiu o campeão: Arséne Wenger optou por escalar os reservas, enquanto que José Mourinho colocou o que tinha de melhor em campo.

Uma observação: Wenger não optou pelos reservas “de sacanagem”. Como a Taça da Liga é a competição menos importante do calendário dos grandes ingleses, é normal que os técnicos optem por colocar em campo times mistos e/ou reservas com o objetivo de poupar os principais jogadores para as competições que realmente interessam, como a Liga dos Campeões e o Campeonato  Nacional.

Wenger, então, quis “homenagear” os jogadores que tinham chegado à grande final, mantendo-os no onze inicial.

Resultado: Os Blues, mais experientes, entrosados e melhores tecnicamente, venceram a partida de virada, com dois gols de Didier Drogba.

O meu amigo saiu do bar muito irritado. Para ele a culpa era do treinador do Arsenal…

“Ele tinha que ter escalado os melhores, tinha que ter escalado os melhores”, repetia a todo instante.

Torcedor não entende essas coisas, ainda mais quando perde…

No Porto e Benfica de hoje, Jesualdo não foi tão radical como Wenger, mas manteve em campo o guarda-redes Nuno Espírito Santo, titular em toda a trajetória dos Dragões na Taça da Liga.

Apesar de ser o terceiro nas opções de Jesualdo, a escalação do experiente Nuno era questão de justiça, certo?

Certo!

Mas não é que aos 10 minutos de jogo o guarda-redes toma um frango histórico num chute despretensioso do volante Rúbem Amorim e, minutos mais tarde,  toma outro gol do meio da rua?

Os Dragões sentiram muito os dois gols e não tiveram forças para iniciar uma reação.

Perto do  final do jogo, o Benfica ainda marcou mais um para coroar o título e a excelente campanha que vem fazendo esta época.

Hoje é dia de festa em Lisboa! O Benfica é bicampeão da Taça da Liga.

Mas e o torcedor do Porto?

 Será que ele entendeu a escalação do terceiro goleiro?

Será que ele não está em casa pensando em como teria sido a final se o Hélton tivesse começado como titular?

Será que ele irritadíssimo por ter perdido a final contra o seu maior rival?

Pois é… Tem coisas que o torcedor não entende.

E para falar a verdade, nem eu…

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