Quando assinou pelo Benfica, Ramires se surpreendeu com a quantidade de jogadores brasileiros atuando em Portugal. Segundo o site da LPF, pouco mais da metade dos jogadores inscritos na Liga Sagres (1ª divisão) são portugueses, ou seja, de um total de 480 atletas, 242 nasceram em Portugal (50,42%). Dos 238 jogadores restantes, 132 vieram do Brasil.
É, Ramires… Eu também me surpreendi quando cheguei aqui. Ainda mais porque a maioria não construiu carreira no Brasil… Esses atletas vieram para cá muito cedo ou de equipes não tão conhecidas, como é o caso do Corinthians de Alagoas, último clube brasileiro dos incontestável Deco.
A verdade é que muitos brasileiros que jogam em Portugal são de segunda ou terceira linha. Até a versão brasileira do football facts nos alerta para isto:
“Aquele fera meia-boca que jogou no seu time há uns três anos e depois sumiu provavelmente está escondido no futebol português, mais precisamente no Belenenses“
Se você for parar para pensar, esse fact é mais verdadeiro do que alguns do Chuck Norris (Calma, Chuck!).
No ano passado, quando “caiu mas não caiu”, o Belenenses tinha no elenco 19 jogadores brasileiros, entre eles o goleiro Júlio César, ex- Botafogo; o zagueiro Rodrigo Arroz, ex-Flamengo; e os atacantes Roncatto, ex-Guarani, e Marcelo, ex-Vasco e Maíra do BBB 9.
Atenção: Esses eram os melhorzinhos…
Neste ano o número de brasileiros diminuiu, mas o elenco ainda conta com alguns de, no mínimo, qualidade duvidosa.
Mas nem todo brasileiro que vem jogar em Portugal é meia-boca só porque não ficou famoso no Brasil…
O plantel do Sp. Braga – segundo colocado no campeonato português, a 3 pontos do Benfica – conta com brasileiros mais conhecidos do público, como são os casos de Adriano Louzada e Márcio Mossoró, mas são os brasileiros desconhecidos (da maioria do público) que estão fazendo a diferença pela equipe do Minho.
Na campanha histórica que o Braga vem fazendo, eu destaco quatro atletas brasileiros: Vandinho, Matheus, Alan e Paulo César.
Vocês conhecem algum deles?
Vandinho: Vandinho esteve para ser dispensado do Braga na temporada passada, mas acabou reencontrando seu futebol como volante mais recuado, um autêntico nº5.
O camisa 88 é o pulmão do meio-campo bracarense. Mesmo aos 32 anos, o brasileiro tem uma capacidade física incrível que lhe permite correr incansavelmente durante os 90 minutos.
Importantíssimo na marcação e na cobertura dos laterais, principalmente quando João Pereira ainda estava no Minho, Vandinho também é o responsável pelo início das transições defesa-ataque da equipe bracarense.
Desde que foi suspenso por uma confusão no jogo contra o Benfica, a equipe caiu muito de produção.
Matheus: Este é o pé de coelho do treinador Domingos Paciência. Matheus disputou todos os jogos da liga até agora, a maioria vindo do banco.
Matheus joga avançado pelas faixas laterais do campo, explorando sua grande velocidade, sempre buscando a linha de fundo para cruzar para um dos atacantes. Este ano, porém, começou a ser aproveitado como centroavante.
Meyong e Adriano Louzada são muito lentos e dão pouca mobilidade e versatilidade ao ataque. Domingos, então, passou a apostar em Matheus para esta posição em fases de jogo que pediam jogadores mais velozes.
Não foram poucas as vezes que Matheus entrou no lugar de um desses dois e matou a partida.
Alan: Na minha opinião, Alan, 30 anos, é o jogador mais importante e perigoso do Braga. Foi peça fulcral na série de sete vitórias consecutivas que acabou credenciando a equipe de Domingos como uma das candidatas ao título.
Alan ataca com muita força pelos lados do campo e nas transições defensivas recua para fechar o meio-campo. Muito rápido e habilidoso, Alan desiquilibra com frequência a última linha do adversário e está sempre pronto para rematar ou passar a bola – já leva 5 gols e 4 assistências em 23 jogos.
Paulo César: Aos 30 anos, Paulo César é, para mim, a “revelação” do Braga. Este brasileiro foi contratado junto ao Leiria na temporada passada com a incumbência de ser o centroavante da equipe minhota. Lembro-me que PC começou muito mal a época e logo foi para o banco de reservas.
Sem muitas oportunidades, Paulo César foi obrigado a se reinventar em campo. Passou a jogar como um falso atacante, atuando mais pelos lados do campo.
Não são poucas as vezes que Paulo César aparece na área sozinho para marcar, já que a sua movimentação constante acaba confundindo o adversário.
Para concluir, quem acompanhar o futebol português sabe que grande parte dos brasileiros que jogam em Portugal não servem nem para equipes de Série-B no Brasil, mas é possível, sim, encontrar excelentes valores em alguns clubes. O Braga é um exemplo.
Outro jogador que eu gosto muito é o zagueiro Felipe Lopes, do Nacional da Madeira, mas esse é um assunto para outro post.