Está cada dia mais fácil assistir qualquer evento esportivo na internet. Se você quiser, por exemplo, assistir o campeonato indiano de cricket ao vivo, é só entrar no google, digitar “indian premier league”, que surgirão vários sites com links ao vivo para a partida que você deseja.
Como tenho bastante tempo livre, já assisti muita coisa boa e muita coisa ruim na internet. Foram horas e horas acompanhando o fantástico campeonato finlandês de futebol, os playoffs da liga norueguesa de vôlei, os jogadores brasileiros perdidos na arábia, desafios internacionais de cricket, lacrosse e por aí vai…
Confesso… a maioria desses campeonatos-torneios-desafios me traumatizou de tal maneira que hoje em dia passo longe de alguns sites! Mas um campeonato que eu não costumava dar muita atenção, mas que agora vejo sempre que posso, é o argentino (de futebol,claro).
Sempre passam boas partidas às sextas e segundas, quando geralmente não tem muito o que fazer por aqui…
As partidas na Argentina são muito intensas, cheias de rivalidade, principalmente pela proximidade entre os clubes – só em Buenos Aires são sete. Aqui, um encontro entre Atlético-MG e Vasco é tão frio que não dá nem vontade de assistir. Enquanto que lá, quase toda rodada tem três ou quatro jogos em que os times dão a vida para vencer.
Mas o Campeonato Argentino não é só força, garra, vontade e catimba. O que não falta por lá são bons jogadores que cairiam muito bem no futebol brasileiro.
Joaquin Boghossian, potente atacante uruguaio de 22 anos, foi contratado pelo Newell’s junto ao modesto Cerro do Uruguai um pouco antes do torneio apertura. Bogol-ssian, como ficou conhecido, marcou 11 gols em 18 rodadas, e foi dos principais destaques da equipe rubronegra que foi vice-campeã do torneio apertura.
Com 1,97 e 80kg, Boghossian é o típico camisa 9 que faz muitos gols e que vai ser vendido por uma fortuna para algum clube europeu.
Sebástian Fernandez, também uruguaio, de 24 anos, é um atacante veloz, de muita mobilidade, que seria titular em muitos clubes brasileiros. Na temporada passada fez uma dupla perfeita com outro uruguaio, o veterano Santiago “El Tanque” Silva.
Ainda no Banfield, um dos jogadores que mais me chamou a atenção foi o colombiano James Rodriguez, de apenas 18 anos. Rodriguez é um jogador que sabe tratar bem a bola, é elegante e tem um pé esquerdo formidável. Essa jóia colombiana foi contratada junto ao poderosíssimo Envigado (???) por “milhões” de euros.
O meia já desperta o interesse de alguns emblemas europeus, entre eles a Udinese, e vai render muitos euros – dessa vez sem aspas – ao clube que o descobriu no “futebol de várzea” colombiano.
Para não ficar só nos estrangeiros, o Gimnasia La Plata tem um jogador que já poderia estar no Brasil há algum tempo, mas que deve ir direto para a Europa. Trata-se do volante argentino Rinaudo, um dos heróis do Gimnasia na luta contra o rebaixamento. Mesmo com 22 anos, Rinaudo é um jogador que se impõe no meio-campo, marca muito bem, comete poucas faltas, e sabe sair jogando como poucos na posição.
Eu poderia ficar listando jogadores por mais dois ou três dias, mas essa não é a intenção do post. Na verdade, eu quero tentar responder a pergunta do do título.
Por que esses jovens jogadores tão talentosos não estão no Brasil?
Outro dia saiu a notícia de que a RCA, empresa do ramo de eletrônicos, desembolsa anualmente R$900 mil para ser cotista máster do Estudiantes de La Plata, atual campeão da Taça Libertadores. Este valor não chega nem perto do que a Batavo paga mensalmente ao Flamengo ou do que o Corinthians paga ao Ronaldo.
Ou seja, dinheiro não é problema.
Teríamos nós, brasileiros, algum preconceito com jogadores sul-americanos? Será que nós achamos que os nossos jogadores são tão superiores aos uruguaios, argentinos, colombianos, e que seria perda de tempo e dinheiro contratá-los?
Também não creio… Caso contrário, não teríamos o prazer de ter assistido em terras tupiniquins craques como Leandro “El Gordo” Zárate, Jorge “El pié de yeso” Artigas, Luis Miguel “La ballena” Escalada ou o Max “El enano” Biancucchi.
O que acontece, na minha opinião, é que a falta de visão dos nossos dirigentes acaba por afastar estes jogadores do futebol brasileiro. Afinal, se grande parte dos clubes da Série A mal tem olheiros em outros estados do país, como poderiam estar atentos a estes jogadores que surgem em clubes menores do Uruguai, Colômbia e Chile?
Fica impossível.
Vemos cada vez mais times brasileiros repatriando jogadores acima dos 30 anos por uma fortuna, quando o certo seria investir nesses jovens valores, pois, num futuro próximo, dariam retorno financeiro ao clube. Eu não consigo entender, por exemplo, a contratação do Roberto Carlos.
Mas enfim… É questão de opinião.
Para finalizar, acho que, há 15, 20 anos, como êxodo de jogadores brasileiros para o exterior era menor, até se entendia a pouca atenção destinada aos campeonatos menores da América do Sul.
Mas, hoje, com os nossos craques indo embora com 17, 18, 19 anos, torna-se inviável fazer um campeonato nacional de qualidade sem a presença dessas verdadeiras preciosidades escondidas nos gramados mais remotos do nosso continente.
É bom os cartolas brasileiros ficarem de olho, porque já tem muitos clubes europeus de segunda linha (holandeses, portugueses, belgas) começando a garimpar talentos aqui ao nosso lado!